Atenção infantil: não é apenas "prestar atenção"
- há 2 dias
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Por Evelyn de Paula Pereira

Uma das frases que mais escuto de pais e educadores é: “Ele não presta atenção.”
Mas do ponto de vista do neurodesenvolvimento, a atenção não é uma habilidade única. Ela é composta por diferentes processos que se desenvolvem gradualmente ao longo da infância, como:
* Atenção sustentada (0 a 2 anos) : começa o desenvolvimento da base da atenção que ainda é bem curta e dura poucos segundos, mas a repetição é fundamental para o cérebro aprender a focar. Ex: Explorar água , bolas, texturas.
* Atenção sustentada e seletiva ( 2 a 4 anos) : A atenção começa a se organizar melhor. O foco ainda é curto, mas já aumenta gradualmente. Ex: Separar cores, procurar objetos, seguir circuitos simples...
* Atenção alternada ( 4 a 6 anos) : o cérebro já consegue lidar com tarefas mais complexas. Aqui começa a surgir maior controle atencional. Ex: jogos com regras, atividades com mudança de comando, circuitos...
* Atenção dividida ( 6 anos ou mais) : com maior maturação cerebral, a criança já consegue trabalhar melhor. A atenção dividida depende das funções executivas, que continuam amadurecendo até a adolescência.

Cada uma dessas habilidades está relacionada à forma como a criança processa informações, regula o comportamento e aprende.

E um ponto importante: essas habilidades não se desenvolvem apenas em atividades sentadas ou cognitivas. O movimento tem um papel fundamental nesse processo.
Dentro de um trabalho psicomotor, utilizamos experiências corporais, desafios motores e exploração do ambiente para estimular funções importantes do cérebro ligadas a:
✔ foco e controle atencional
✔ planejamento motor
✔ autorregulação
✔ aprendizagem
Na minha prática profissional, trabalho esse desenvolvimento tanto em atividades no solo quanto na piscina, utilizando o movimento como mediador entre corpo, cérebro e aprendizagem. A água, por exemplo, oferece um ambiente rico em estímulos sensoriais e motores que favorecem a organização corporal, a atenção e a coordenação.
Quando bem estruturadas, essas experiências contribuem para o desenvolvimento global da criança, impactando não apenas habilidades motoras, mas também aspectos cognitivos e socioemocionais.
Logo, cada faixa etária é capaz de realizar determinadas tarefas quando respeitamos sua capacidade neurológica e maturacional. Exigir níveis de atenção acima do que o cérebro da criança ainda é capaz de sustentar pode levar a interpretações equivocadas sobre seu comportamento ou desenvolvimento. A atenção é uma habilidade treinável, que se desenvolve gradualmente por meio das experiências, do movimento e da mediação do adulto — como apontam estudos sobre funções executivas no desenvolvimento infantil descritos por Adele Diamond.
Investir no desenvolvimento infantil é olhar para a criança de forma integrada — corpo, mente e movimento.
💬 Você já conhecia os diferentes tipos de atenção na infância?
Referência citada: Diamond, A. Executive Functions. Annual Review of Psychology, 64, 135–168. https://www.annualreviews.org/content/journals/10.1146/annurev-psych-113011-143750






















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